Libélula



BRASIL, Mulher, de 26 a 35 anos, Portuguese, English, Música, Arte e cultura
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Nova Casa

A Libélula, mais uma vez, está de nova casa.

Agora vocês poderão acompanhar meu blog em um novo endereço:

http://www.sobreelas.com.br/blog

Espero que gostem, foi feito com muito carinho.

Bjs e até lá

Lib



Escrito por Libélula às 12h19
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Derradeira mensagem

Estive ausente esses dias, confesso, mas foi por uma boa causa.

Estou coordenando a editoria de um site voltado para mulheres homossexuais. O site tem por objetivo, preencher a lacuna daqueles que se esquecem que não são somente artigos que falam sobre homossexualidade que nos interessam. Gostamos de cultura, de nos vestir bem, de estarmos bonitas e bem informadas.

Eu tenho orgulho de ser homossexual, mas, principalmente, de ser mulher.

O lançamento está previsto para o dia 24/06 e deixarei um recado aqui com o endereço. Ainda não é certo, mas provavelmente meu blog será transferido para lá.

Sugestões de pauta serão extremamente bem vindas, deixem seu recado ou escrevam para o e-mail: libelulasp@uol.com.br

Nos encontraremos lá.

Bjs

Lib



Escrito por Libélula às 18h07
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É nois...

Sábado começamos a maratona de doações. A vovó de uma amiga fez uma cirurgia nesta segunda e aproveitamos a oportunidade para doarmos sangue.

Como minhas veias são muito delicadas (e a enfermeira não) meu braço ficou um pouco rouxo e dolorido mas nada que não compense saber que meu precioso sangue (azul, pois sou descendente de uma linhagem nobre, dos Vaisse Fuden) pode salvar uma vida.

Agora, a próxima doação será de medula, na Santa Casa. Vai que tem algum doido compatível?

Mudando de assunto, quem vai ao Gay Day põe do dedo aqui!
Eu fico o ano inteiro esperando chegar essa data. É tão divertido, mas tão divertido, que sempre saio com a barriga doendo de tanto rir. Só espero que o frio não estrague o passeio.
Para completar minha felicidade, duas ex-namoradas que moram no Rio (e que hoje são minhas super amigas) tb estarão aqui e poderemos matar a saudade.

Só vão faltar mesmo a Thimmy e a Marcavi, essas furonas...

Do mais, tudo azul no mundo da Lib

Bjs

 



Escrito por Libélula às 13h55
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A Ki está de volta e trouxe vários presentes na bagagem.
Toalha de renda para a mesa de jantar, toalha para lavabo, doce de cajú, bombom de cupuaçu, castanha de cajú, 2 quilos de camarão, especialmente para a minha pessoa e um desodorante para perereca, presente da nossa amiga Morgana (estou até agora tentando entender porque ela nos deu esse presente)

Agora, com sabonete especial para as partes (aquele que deixa sensação de frescor e ardência de Halls, lembram?) e um desodorante exclusivo para "ela", vamos ter as perecas mais cheirosas da Vila Mariana.
Por outro lado me pergunto: será que os parceiros e parceiras de uma perereca cheirosa não vão, um dia, sentir falta do cheiro natural?
Talvez, se eu andasse na contramão da modernidade e criasse o desodorante "Xêro di Xana", ficaria milionária no futuro. Já imagino o sucesso que o produto não faria.

Spot para rádio:
Fundo: Música suave
Voice over: "Xêro di Xana, a fragrância que traz de volta o cheiro natural da sua companheira. A venda nas melhores perfumarias e casas do ramo"

Fala sério...

Boa semana

Bjs

Lib



Escrito por Libélula às 12h24
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Afe...

Se eu depender dos amigos aqui do blog, vou passar o final de semana tricotando um cachecol para cada um dos ratos e um cobertorzinho de orelha pra mim...fala sério...

Bom, para contrariar toda essa galera, amanhã vou me jogar. Tenho um aniversário no Piola e depois esticaremos para a Ultra Lounge (se meu corpo de véia permitir, claro). Tudo perfeitamente comportado e supervisionado por olheiros que a Kifiw contratou, afinal, ela não é louca de deixar esse filé de 1.72 m, linda e loura, solta em São Paulo, né? (A minha maior qualidade sempre foi a modéstia, ultimamente então, nem se fala...)

Mudando de assunto, minha nova aquisição, depois de um período de estafa causada pela exaustão, voltou a funcionar. Posso passar o sábado e o domingo inteiro lavando roupa...oh maravilha...

Para os que ficam, bom final de semana

Bjs

Lib

 

 



Escrito por Libélula às 17h17
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Oh coitada

A coitadinha da Lib, tão inocente e frágil, vai ficar 4 dias abandonada em São Paulo.
Será que dou conta?

A Kifiw vai para Fortaleza rever parentes e amigos e vai me deixar aqui sozinha, indefesa, com frio, nessa cidade enorme e violenta...

Ficaremos eu, os ratos e meus joelhos doloridos jogados às traças. Só me restará lavar roupa na máquina (que voltou a funcionar) para consolar meu coração... snif snif snif

Se alguém souber de alguma boa balada, mande e-mail, quem sabe não preencho esse vazio com cerveja? ;-)

Bjs

Lib
All alone

 



Escrito por Libélula às 15h46
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Pessoas Automáticas

Observo duas pessoas que acabam de se encontrar. A que chega, vem com um sorriso aberto de orelha a orelha, abraça a outra e diz:

- Oi, tudo bem?

A outra, automaticamente responde:

- Tudo e você?

Seria mais um mero encontro entre conhecidos caso não fosse no enterro do pai de uma delas.

A pessoa que veio cumprimentá-la cometeu dois erros gravissimos. Primeiro, um sorriso largo, como se estivesse feliz em estar ali, no velório de um ente querido. Segundo, desde quando se pergunta se está tudo bem para uma pessoa cujo o pai acabou de morrer?

É claro que não está tudo bem!

Temos que aprender a desligar o automático e lidar com as pessoas como elas verdadeiramente são: seres humanos. Ali, um "sinto muito" diria tudo, sem precisar dizer muito. Um abraço apertado e um sorriso, deixaria claro para pessoa que você está ali caso ela queira desabafar, ou apenas se sentir querida em um momento que todos nós nos sentimos abandonados.

São pequenos gestos, pequenas atitudes, que ditas ou feitas com o coração que fazem a diferença. Doe-se, deixe que o outro veja que você sinceramente sente muito pela dor que ele está passando. Seja inteiro, sempre.

Boa semana

Bjs

Lib



Escrito por Libélula às 16h01
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A primeira vez a gente nunca esquece

Ela chegou no sábado, toda empacotada. Estava um friozinho gostoso naquele dia.
Fiquei ali, observando-a, admirando-a, quase sem acreditar que ela estava ali, na minha frente, toda minha.
Saí por alguns instantes, mas a única coisa que eu conseguia era pensar nela.
Voltei correndo para casa, louca para vê-la novamente.

Nossa relação não durou muito. No domingo pela manhã, ela já não era a mesma. Talvez porque se esforçou demais no sábado ou porque simplesmente era hora de acabar.
Minha alegria, minha emoção, parou ali. Mas eu nunca, nunca vou esquecê-la.

Acho que ainda essa semana, ela voltará a funcionar. Minha linda e primeira, máquina de lavar...

Bjs

Lib

 



Escrito por Libélula às 16h13
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Tempus edax Rerum*

Eu estou comendo tanta salada por causa da dieta, mas tanta salada, que daqui a pouco estarei fazendo fotossíntese.
A vantangem é que aí é só colocar água no meu pé e me deixar meia hora no sol todos os dias...

Esse final de semana finalmente fomos ver a exposição de Picasso. Eu, particularmente, não curto muito, mas...tudo pela cultura, né?

Do mais, chega de tremedeira. Eu já estava me acostumando e véia, sabe como é, né? pra "ganhar" uma nova mania, não precisa nada. Imagina se eu acostumo a apenas segurar a colher na hora de adoçar algo e deixar que a tremedeira faça o resto?
Fora o "vibrato" que ela produzia nas cordas do violoncello sem eu precisar fazer nenhum esforço...

O importante mesmo é que estamos aqui, para mais uma semana. Com ou sem tremedeira.

Bjs

Lib

* tempus edax rerum lat Tempo devorador das coisas. Pensamento de Ovídio (Metamorfoses, XV, 234)

Escrito por Libélula às 18h22
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E a vida continua

Eu fico triste por não conseguir postar tanto quanto gostaria mas acreditem, meia hora do meu tempo ultimamente tem sido muito.

Semana passada quase me matei (sem querer, juro) tomando uma dose três vezes maior, duas vezes ao dia, durante cinco dias, do xarope para a asma. Como ele é vasodilatador, eu poderia perfeitamente ter tido uma parada cardíaca. Definitivamente "Malum vas non frangitur" ou, no bom português, "Vaso ruim não quebra".

Diante da ameaça do empacotamento prematuro, tomei a decisão de ajudar as pessoas antes que seja tarde. Quero doar sangue, medula e se alguém souber como e onde, doar meus óvulos também.
O fato de eu não querer ter filhos não significa que eu não possa proporcionar a uma mulher que sonhe com isso, realizar seu desejo.

Sou sadia (tirando a asma, a gastrite, a hérnia de hiato, a esofagite, o prolapso da válvula mitral e a rinite, claro), sou culta, tenho bom gosto, adoro música, não bebo, não fumo, nunca usei drogas, sou honesta, boa gente, altruista... que mãe não iria querer uma filha assim?

Portanto, se alguém souber alguma informação de onde eu posso doar meus óvulos, por favor, me passe, estou falando sério. Quero encher o mundo de mães felizes e libelulinhas de óculos...

Bjs

Lib
Em crise de asma e bondade

Escrito por Libélula às 18h22
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Mal de Parkinson

Desde que passei o final de semana na casa da minha mãe, estou em crise.
Tomei corticóide a semana inteira e nada de parar de tossir.
Eu não durmo e não consigo deixar a coitada da San dormir também.

Na quarta fui a um concerto e bem no meio da apresentação me deu um acesso de tosse.Para não atrapalhar os músicos, fiquei me contorcendo na cadeira, a ponto de ter um colapso. As lágrimas escorriam e eu suava tanto que a mulher que estava do meu lado deve ter pensado que eu iria morrer.

Hoje, exausta por não conseguir dormir, resolvi recorrer ao remédio para a asma, que eu detesto tomar.
Eu fico tão trêmula, mas tão trêmula que segurar o mouse fica difícil. E o arco do violoncello? E copo com água?

Nessas horas, só tem uma coisa que é uma maravilha de se fazer (se é que vocês me entendem)

Deve ser muito triste não ter o controle sobre o corpo, como as pessoas que sofrem de mal de parkinson, né?

Sse eu con con conseguir pa parar de tremer até o final de semana, já já tá bom...

Be beijos

Lib

Escrito por Libélula às 18h21
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E viva o século XXI

Todos os dias eu me pergunto como eu posso ter vivido sem internet, celular, tampax, DVD e agora, sabonete para as partes íntimas.

Sim, minhas amigas e meus amigos, aderi ao sabonete desenvolvido exclusivamente para as partes pudendas.

Além da sensação de bem-estar e limpeza que ele proporciona ao longo do dia, na hora de lavar dá um ardidinho gostooooso! Parece que a gente esfregou Halls preto na perereca. Eh "dilícia"!

Se alguém quiser experimentar, chama-se Intimamente Íntimo e é vendido em farmácias e perfumarias. É caro, mas vale a pena, principalmente antes das carícias intimamente íntimas ;-)

Estou até pensando em sugerir ao fabricante lançar um com fragrância, sensação e sabor Halls menta, que é mais suave e saboroso e, claro, cobrar pelo merchandising no blog, né?

Bjs

Lib

P.S. Quem quiser ver o tal "sorriso metálico" da Libélula, é só visitar o blog da Kifiw (http://www.kifiw.blig.com.br)
Cuidado para não cair da cadeira e, se quiser espantar o mau-olhado do computador, é só usá-la como papel de parede. Funciona que é uma beleza...


Escrito por Libélula às 18h21
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Agora sim, a cara do Brasil

Tá bom, eu sei que falar do Big Brother hoje é lugar comum. Mas tudo bem, eu sou uma pessoa comum.

Nunca acompanhei um Big Brother (com excessão de uma parte do primeiro para saber quem era o Tirso, ou Thirso, sei lá, mas essa é uma outra história) porém, esse em particular me chamou a atenção pela disparidade dos integrantes.

É certo que eles "escolhem o elenco" do programa para que o grupo não fique homogeneo, mas finalmente acertaram na "cara do Brasil".
Principalmente pela ganhadora.

Eu sempre nos vi assim: sorridentes e alegres, mesmo que não tenhamos um puto no bolso, corajosos e confiantes, mesmo quando as expectativas não sejam das melhores, humildes, guerreiros e, principalmente, amigos.

É por essas e por outras que tenho tanto orgulho de ser brasileira. Eu convivi com pessoas de todas as partes do mundo e garanto: ninguém se compara a gente.

Parabéns Cida, parabéns Globo e parabéns a todos nós que batemos no peito pra dizer:
- De onde eu sou?
- Sou do Brasil!

Bjs

Lib


Escrito por Libélula às 18h21
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Agressões urbanas - Como escapar delas?

Anteontem fui vítima da minha própria distração: fui assaltada dentro do ônibus em plena Av. Paulista as 8 horas da noite.

Ouçam: nunca, nunca mesmo sentem no banco que fica em frente a porta de saída principalmente se o ônibus está vazio e não deixe expostos celulares, walkman, bolsas e jóias.

Embora eu não tenha sofrido agressão física, o furto de algo, mesmo que não seja de valor (ou de muito valor) sempre deixa uma sensação incrível de raiva e injustiça.

Eu sempre me julguei uma boa pessoa, altruista, preocupada com o próximo. Sou do tipo que não consegue negar um prato de comida a alguém, que não pode ver alguém sofrendo que sempre procura uma maneira de ajudar.

Eu nunca passei por cima de alguém para conquistar algo, muito pelo contrário, sempre que posso levo trabalho para os meus amigos para que todos nós possamos ganhar.

É justo então que alguém me roube algo que eu consegui comprar com tanto esforço?

Fazer o quê? O que está feito, está feito.

Desculpem o desabafo, mas estou realmente chateada.

Lembrem-se dos meus conselhos e evitem serem furtados também.

Bom final de semana

Bjs

Lib


Escrito por Libélula às 18h21
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Ao que nos acostumamos, mas não devíamos

Ao que nos acostumamos, mas não devíamos

Ontem, relendo o texto da Marina Colassanti (na íntegra, abaixo) fiquei me perguntando a quantas coisas nos acostumamos todos os dias, mas não devíamos.

Nos acostumamos a trabalhar até tarde porque se sairmos cedo, ficamos parados no trânsito perdendo tempo e tempo, é algo que nos acostumamos a não perder.

Quando somos pobres, nos acostumamos a levar uma vida medíocre, porque ouvimos desde cedo que pobre não chega a lugar algum e se somos ricos, nos acostumamos a não permitir que as pessoas se aproximem, com medo que seja por interesse.

Nos acostumamos a amores pequenos, porque temos medo de perder um grande amor.

Nos acostumamos a falar mais "não" que "sim" e, por consequencia, a ouvir mais "não" que "sim" também e vamos vendo, todos os dias, as portas se fechando e nenhuma janela se abrindo.

A lista, para nossa infelicidade, é infinita, já que a cada dia nos acostumamos a uma nova realidade.

Ao que você se acostumou, que mais te doeu?

Bjs

Lib



Eu sei que a gente se acostuma,

Mas não devia.

A gente se acostuma a morar em apartamento de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E porque à medida que se acostuma esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.

A gente se acostuma a acordar de manhã, sobressaltado porque está na hora. A tomar café correndo porque está atrasado. A ler jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíches porque já é noite.

A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e a dormir pesado sem ter vivido o dia. A gente se acostuma a abrir a janela e a ler sobre a guerra. E aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz.

E aceitando as negociações de paz, aceitar ler todo dia de guerra, dos números da longa duração. A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto. A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o que necessita.

E a lutar para ganhar o dinheiro com que paga. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagará mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com o que pagar nas filas em que se cobra.

A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes, a abrir as revistas e ver anúncios. A ligar a televisão e assistir a comerciais.

A ir ao cinema, a engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.

A gente se acostuma à poluição. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às besteiras das músicas, às bactérias da água potável. À contaminação da água do mar À luta. À lenta morte dos rios. E se acostuma a não ouvir passarinhos, a não colher frutas do pé, a não ter sequer uma planta.

A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber. Vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente se senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente só molha os pés e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer, a gente vai dormir cedo e ainda satisfeito porque tem sono atrasado.

A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se da faca e da baioneta, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida.

Que aos poucos se gasta, e que, de tanto acostumar, se perde de si mesma.


Escrito por Libélula às 18h21
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